3/24/2006


De Tubiacanga para o mundo
Mirem-se no exemplo daquelas Mulheres de Tubiacanga: quando seus maridos embarcam nos pesqueiros, elas tecem longos bordados... Se a canção de Chico Buarque fosse inspirada no universo feminino de Tubiacanga, a letra provavelmente seria outra. Afinal, ao contrário das mulheres de Atenas, as insulanas têm sim gosto e vontade, qualidade e sonhos. Prova disso são as obras de arte produzidas por elas a partir de sucata. Vale tudo: desde tubos de xampu até embalagens de óleo para carro, que são transformados, com muita criatividade, em peças para decoração e utensílios variados. O artesanato com o selo e a identidade da cooperativa já ultrapassa os limites da Ilha e ganha as areias de Ipanema e o calçadão de Copacabana. Em parceria com o artista plástico e estilista Cocco Barçante, as Mulheres de Tubiacanga passam a ter seu trabalho reconhecido no circuito alternativo da moda e da arte cariocas às vésperas do Dia Internacional da Mulher.
Na quarta-feira, a convite de Cocco, elas participam da exposição “Rio de imagens femininas”, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, na Praça Onze.
— Sempre as convido para participar de exposições comigo. As pessoas se encantam em todos os lugares por onde elas passam — conta o artista, que também dá aulas no Centro de Moda do Senac-Rio.
É assim desde a Feira de Arte Iniciativa Solidária no Jardim Botânico no fim de 2005, na qual as Mulheres de Tubiacanga tiveram a primeira oportunidade de mostrar o que aprenderam nas oficinas de reutilização de plástico, mosaico ecológico e pintura em tecido.
As aulas são ministradas desde setembro como parte do projeto Artesanato, implementado na comunidade pelo Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida e coordenado pelo Instituto para o Desenvolvimento Local.
— Depois, surgiu a idéia de montarmos a cooperativa para vender nossos produtos. Investimos parte do dinheiro em material e dividimos o restante — explica Leila Sobral, uma das artesãs.
O talento é tanto que, de alunas, Cocco as transformou em parceiras da coleção Sentimentos do Rio, linha de roupas que desenvolve a partir de paisagens típicas dos bairros cariocas. Na fase Ipanema do projeto, o artista precisou de bolsas para embalar suas camisas.
— Cortei uma garrafa PET ao meio, furei a tampinha e fiz uma alça de malha. Dali saiu a primeira bolsa — lembra Rita Pereira, outra de suas alunas.