Artesanato ajuda na ressocialização de presos
Jornal Agora, 28 de março de 2006
Um projeto executado pela comarca de Bom Jardim consegue com êxito, desde maio de 2005, a ressocialização de presos provisórios e definitivos. “Trabalho e Ressocialização – Liberdade pela Arte” é voltado para a confecção de artesanato, em parceria que reúne também o Ministério Público, as prefeituras de Bom Jardim e de São João do Caru, e o Conselho da Comunidade. Segundo o juiz da comarca e idealizador do projeto, Júlio César Lima Prazeres, alguns presos já confeccionavam artesanato nas próprias celas. “Conseguimos organizá-los, e levá-los das celas para uma oficina”, afirma. “Trabalho e Ressocialização – Liberdade pela Arte” tem por objetivo garantir condições dignas de salubridade mental aos presos. Quer, ainda, conferir a eles a possibilidade de retorno ao convívio social com perspectivas concretas de inclusão no mercado de trabalho, e a sustentabilidade da nova condição. A cela onde funciona a oficina foi construída na área da delegacia de Polícia, com apoio da prefeitura, que patrocinou a obra. Com dimensão de 30m x 30m, possui banheiro, armários e balcão de trabalho onde os presos passam o dia criando e fazendo peças. Porta-jóias, porta-retratos e, até mesmo, maquetes são produzidos com palitos de picolé e de dentes.Ao Conselho da Comunidade cabe o controle de freqüência dos presos no projeto. A partir daí é contabilizada a remissão da pena. Enquanto o Judiciário garante a execução do trabalho, o Ministério Público garante ao preso a participação no projeto, além de fazer o seu acompanhamento. Segundo o juiz, os detentos são beneficiados de várias formas: remissão da pena (cada três dias trabalhados correspondem a um dia a menos na pena); vantagem financeira (os produtos são comercializados por eles); além de aspectos social e psicológico. Cerca de doze presos participam do projeto atualmente. Além de comercializados, os trabalhos são expostos ao público. Os presos já participaram de exposições na Feira do Município, e no Ministério Público, em São Luís O dinheiro oriundo de multas aplicadas pelo juizado especial criminal da comarca é revertido no ‘Trabalho e Ressocialização’, para a aquisição da matéria-prima das peças. Além desse projeto, a comarca de Bom Jardim tem outra iniciativa de sucesso: a Casa Albergue, onde dormem apenados em regime aberto.

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